30/08/1998

JORNAL DO BRASIL

- FH tem nomes para 2º governo

- O agravamento da crise financeira internacional levou o presidente Fernando Henrique Cardoso a antecipar o desenho da equipe econômica em um possível segundo mandato. O ministro da Economia, Pedro malan, e o presidente do Banco Central, Gustavo Franco, já receberam convite e aceitaram continuar. A primeira medida está definida: o Programa de Ajuste Fiscal de Longo Prazo. Segundo um dos principais estrategistas da campanha de reeleição, Malan e Franco estão incluídos em nova estrutura ministerial, que terá a criação de pastas como Departamento e Produção, Finanças e Defesa. (pág. 1 e 13)

- Antes mesmo da campanha terminar, o candidato do PDT ao governo do estado, Anthony Garotinho, pode comemorar uma vitória: ter quebrado a resistência do eleitor da capital. Segundo a última pesquisa "Jornal do Brasil-Universidade Federal Fluminense", realizada nos dias 20 e 21 de agosto, o pedetista conta com 37% das intenções de voto dos cariocas, em situação de empate técnico com o pefelista César Maia, que tem 36% dos votos. No rastro desta tendência, Garotinho centrará esforços na conquista do eleitor carioca até 4 de outubro. (pág. 4)

- Os ministros da área econômica dos nove países da América Latina que participarão de reunião com autoridades americanas semana que vem querem garantias financeiras para impedir que eles sejam arrastados pela crise internacional. O encontro vai reunir, em Washington, a cúpula do FMI, do Bird e do Tesouro americano. (pág. 1 e 12)

- Beneficiados pelo aumento da renda média com o Plano Real, os 3,7 milhões de autônomos brasileiros sentem a redução de seus ganhos. Dados do Ipea e do IBGE mostram que o faturamento desses trabalhadores caiu em todo o País nos quatro primeiros meses deste ano. Agravando a síndrome da "nostalgia da carteira assinada". (pág. 1 e 22)

- A reunião de terça-feira em Moscou entre os presidentes americanos Bill Clinton e o russo Boris Yeltsin porá frente a frente dois líderes enfraquecidos. Yeltsin, que cedeu quase todo o poder ao primeiro-ministro Victor Chernomirdin, não poderá dar garantias de que a Rússia seguirá as reformas de mercado acertadas nas últimas negociações com o FMI, em julho. (pág. 1 e 17)

- O candidato do PFL ao governo do estado, César Maia, criticou duramente, esta semana, os gastos do Governo federal com publicidade. Também prometeu revogar, caso seja eleito, todos os gastos do Palácio Guanabara com propaganda. E ainda jurou que, quando prefeito do Rio, "não gastou um tostão" com marketing. Mas um levantamento da comissão de orçamento da Câmara dos Vereadores mostra uma história diferente. (...) (pág. 5)

- (São Paulo) - O católico Paulo Maluf (PPB) está correndo atrás dos votos dos evangélicos, enquanto o evangélico Francisco Rossi (PDT), que em 1994 fez campanha com a Bíblia nas mãos, não dispensa o apoio dos crentes, mas evita falar em sua religião para não perder eleitores católicos. Líderes nas pesquisas eleitorais e prováveis concorrentes de 2º turno, os dois são os preferidos das igrejas pentencostais, politicamente mais conservadoras. (pág. 5)

- Os responsáveis pelo marketing do presidente Fernando Henrique, candidato à reeleição pelo PSDB, andaram falando que não mostrariam a crise da economia internacional no horário gratuito. A justificativa: não renderia muitos votos. Depois voltaram atrás. E o fato é que já se tornaram comuns no programa de FH imagens de líderes como Bill Clinton e Tony Blair. O texto diz que eles defendem os Estados Unidos e a Inglaterra neste "momento econômico difícil". (pág. 7)

EDITORIAL

"Volta à razão" - A reunião dos ministros da Fazenda da América Latina convocada pelo diretor-gerente do FMI, Michel Camdessus, em Washington, é mais do que um simples encontro às vésperas das assembléias do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial que ocorrem no outono do Hemisfério Norte.

É um momento importante na sequência dos fatos que abalaram os mercados de capitais desde a crise asiática de outubro de 1997. Na realidade, está-se assistindo ao fim do ciclo iniciado com a Conferência de Bretton Woods, no pós- guerra, e ao começo de uma nova ordem do sistema monetário internacional. (...) (pág. 10)

COLUNAS

(Coisas da Política - Dora Kramer) - Os desempenhos eleitorais, principalmente os comportamentos pessoais de César Maia e Paulo Maluf, já são alvo de críticas tão ácidas quanto poderosas no PFL, que esperava com eles deslanchar o projeto de crescer no Sudeste. Nas altas esferas do partido já se considera fortemente a hipótese da derrota de qualquer um dos dois, ou de ambos, nas disputas pelos governo do Rio e de São Paulo, ao mesmo tempo em que já está também pronto na ponta de línguas pefelistas o discurso que trará de tirar das costas do PFL o ônus por eventuais fracassos. (...) (pág. 2)

(Informe JB - Maurício Dias) - O senador Élcio Álvares (PFL), líder do Governo, ciceroneou o governador capixaba Vítor Buaiz (PV), em Brasília.

FH teria garantido a liberação pela Caixa de R$ 50 milhões por conta da privatização da companhia de saneamento do Espírito Santo.

A grana ajudará a resolver parte do problema de Buaiz com os salários atrasados de 60 mil servidores.

E afagará a eleição de Élcio Álvares, candidato ao Senado. (pág. 6)

FOLHA DE SÃO PAULO

- Maluf avança 4 pontos e está empatado com Rossi

- Pesquisa Datafolha feita dias 27 e 28 de agosto mostra que o candidato ao governo paulista pelo PPB, Paulo Maluf, subiu quatro pontos e empatou em 27% com Francisco Rossi (PDT) - que tinha 28% antes.

A margem de erro é de três pontos percentuais. Se a eleição fosse hoje, os dois disputariam o segundo turno. Uma simulação dessa disputa mostra que Rossi seria eleito. Ele bateria Maluf por 52% a 38%.

Maluf pediu o apoio explícito do presidente Fernando Henrique Cardoso nesse eventual segundo turno. A idéia é obter de FHC a declaração "eu voto em Maluf" para usar no programa de TV, informa o Painel.

A pesquisa mostra que Mário Covas (PSDB) tem 14% e Marta Suplicy (PT), 12% - empate técnico. Na disputa pelo Senado, Eduardo Suplicy (PT), subiu de 21% para 34% e seria eleito hoje. (pág. 1 e 1-4)

- Estudo revela que 41% do leite bovino produzido no País em 97 era clandestino. Foram 8,2 bilhões de litros de leite que ficaram sem beneficiamento, sem pagar taxas e sem inspeção sanitária, informa Armando Antenore.

Esse volume era de cerca de 5 bilhões de litros em 90 e 7 bilhões em meados da década. Segundo o estudo, feito pela USP, o mercado informal faturou R$ 3,8 bilhões em 97, contra R$ 9 bilhões do mercado legal. (pág. 1 e 3-1)

- A sucessão de crises está ressuscitando um velho esporte: a busca de bodes expiatórios. O da moda é a globalização. Em seu balanço, porém, o saldo é positivo. Nunca tantas pessoas e países saíram tão rapidamente da miséria.

Nem é lícito dizer que a globalização seja fábrica de colapsos. Os dois maiores da história recente ocorreram em economistas não globalizadas.

Seu perigo é o da volatilidade. A melhor defesa contra ele é reduzir o déficit fiscal e manter o déficit cambial em níveis financiáveis. (pág. 1 e 1-4)

- A consequência mais óbvia da crise internacional deve ser a desaceleração geral do crescimento mundial. Mas outro desdobramento é a extensão do apoio a países em dificuldade, cujo padrão valeu para México e Ásia, mas foi rompido na Rússia. (pág. 1 e 1-7)

- A dívida externa das empresas privadas brasileiras pulou de US$ 37,3 bilhões em 95 para US$ 108,5 bilhões em junho, um aumento de 190,68% segundo dados do Banco Central. A maior parte dessa dívida vence nos próximos três anos. (pág. 1 e 2-1)

- O Ibama admitiu na sexta-feira que o Bird rejeitou a proposta de compra de helicópteros para o Proarco. O coordenador-geral do Proarco, Flávio Montiel, diz que esse não é o motivo principal do atraso na assinatura do contrato de financiamento.

"Há uma contradição entre o caráter emergencial do programa e os trâmites burocráticos que tanto o Governo quanto o Bird têm de cumprir". (...) (pág. 1- 6)

- Com a estação seca chegando ao seu auge e os incêndios proliferando na Amazônia, o programa emergencial lançado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso em 8 de julho ainda não saiu do papel.

Isso porque o Bird (Banco Mundial), principal financiador do projeto, não concorda com as diretrizes do Governo federal - que seriam mais cosméticas que efetivas no combate à seca, segundo críticos do projeto.

Entre os dias 15 e 20 deste mês foram detectados, por imagens de satélite, 2.203 focos de queimada no Norte do País e 4.104 no Centro-Oeste. (...) (pág. 1- 6)

EDITORIAL

"O real e desigualdade" - Dada a crise internacional que castiga o País há 13 meses, não surpreende que a renda dos trabalhadores das regiões metropolitanas venha caindo nos últimos cinco meses, um recorde desde o início do Real, segundo dados do IBGE analisados pelo Ipea. Surpreendente mesmo é que a renda média dos empregados ainda seja maior que a média de 1997. Isto é, desde o início do plano de estabilização, em 1994, a renda do trabalho ainda não deixou de crescer. (...) (pág. 1-2)

COLUNA

(Painel) - Francisco Rossi (PDT) já fez chegar a FHC que quer a neutralidade presidencial explícita no 2º turno, caso dispute contra Maluf. No PSDB, há avaliação de que, se Covas naufragar, seria melhor para o Planalto ter Rossi do que Maluf no governo de SP.

Quem conhece o Presidente diz que ele perdeu o sono após os pedidos de Maluf e de Rossi. (pág.1-40

O ESTADO DE SÃO PAULO

- Previsões para o PIB já são menos otimistas

- As incertezas provocadas pela crise russa e seus reflexos nos grandes mercados mundiais frustraram a expectativa do Brasil de ver sua economia fechar este ano com crescimento de 2% do PIB. Se o Governo refaz cálculos, também são alteradas as previsões de empresários, economistas e sindicalistas para 1999. O secretário de Política Econômica, Amaury Bier, avalia, no entanto, que a retomada do crescimento econômico, esperada para o segundo semestre, já começou a apresentar dados positivos. (...)

Dois importantes bancos americanos com operações no Brasil - o Citibank e o Bank-Boston - fazem projeções menos animadoras, calculando o crescimento do PIB em 1% ou no máximo 1,2% em 1998, com possibilidade de evolução de 2,8% em 1999. O alto índice de desemprego ajuda a explicar a queda do consumo no País. (pág. 1 e B10)

- São muitas as recriminações sobre quem seria o culpado pela catástrofe asiática. A crise é uma punição pelos pecados asiáticos ou a obra de especuladores? Teria o FMI agido corretamente num momento difícil ou lançado mais lenha na fogueira? Descobrindo o que destroçou a Ásia, seria possível evitar ou controlar melhor a próxima crise. (pág. 1, B10 e B11)

- De acordo com a teoria em vigor, a Rússia está vivendo o retorno dos oligarcas. São bilionários self-made, barões industriais e managers vermelhos treinados na ex-URSS. A mídia americana defende-os como donos "de poderosos e novos grupos industriais e financeiros que também dominam a mídia". Pagaram a reeleição do presidente Boris Yeltsin em 1996 e agora têm a chance de livrar-se por motivos médicos. (pág. 1 e A18)

- A economia brasileira balança a cada abalo sísmico da crise das bolsas internacionais porque expõe uma grande fragilidade aos investidores estrangeiros: o desequilíbrio fiscal. Esse consenso se consolidou na última semana, quando a crise internacional respingou fortemente sobre as bolsas brasileiras. Mas ainda não chegou à campanha eleitoral.

O candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, pôs a crise no centro de seu discurso, mas jogou na conta de seu adversário, o presidente Fernando Henrique Cardoso, eventuais equívocos na condução das políticas monetária e cambial. O presidente e candidato à reeleição, de seu lado, tem confessado a pessoas próximas sua "angústia" com o fato de o Brasil figurar na lista dos países vulneráveis à instabilidade financeira internacional e tributado o fato ao déficit público. (...) (pág. A4)

- (Rio) - O presidente Fernando Henrique Cardoso provocou constrangimentos tucanos no Rio ao cancelar visita a duas importantes obras do governo Marcello Alencar, seu companheiro de partido, e manter o comício na Favela Parque Royal, na Ilha do Governador, beneficiada pelo projeto de reurbanização Favela-Bairro, criado pelo ex-prefeito César Maia, candidato do PFL a governador e inimigo político de Alencar.

A visita do Presidente às obras da estação do metrô da Pavuna, que será inaugurada amanhã, e à Via Light, auto-estrada que liga a zona norte à Baixada Fluminense, estava sendo vista pelos tucanos do Rio como uma forte saída para melhorar a posição das pesquisas do candidato do PSDB, Luiz Paulo Corrêa da Rocha, que patina em 3% na preferência do eleitorado. (...) (pág. A5)

(Fortaleza) - Em 1986, Tasso Jereissati ganhou sua primeira eleição para o governo do estado do Ceará. Ele e seu grupo político não perderam mais o governo desde então. Tasso elegeu seu sucessor, Ciro Gomes, em 1990, e conquistou um novo mandato em 1994, ainda no primeiro turno. Agora, segundo apontam as pesquisas de intenção de voto, Tasso deve garantir sua reeleição novamente sem precisar disputar dois turnos e com uma votação expressiva. Integrantes do grupo do governador cearense acreditam que o próximo passo de Tasso, se a reeleição se confirmar, poderá ser a candidatura à sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso. (...) (pág. A6)

- (Fortaleza) - Durante os últimos três anos, o deputado Paes de Andrade (PMDB- CE) especializou-se em fazer oposição ao Governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. Como presidente nacional do PMDB, Paes conseguiu impedir que a ala governista do partido tomasse o poder na legenda e garantisse uma coligação oficial de apoio à reeleição de Fernando Henrique. Defensor da tese do lançamento de candidatura presidencial própria do PMDB, Paes deve deixar a presidência do partido no máximo até outubro, mas já prepara uma nova ação de oposição ao Governo federal. (...) (pág. A6)

EDITORIAL

"O prenúncio da solução do problema do desemprego" - A atualidade brasileira está mostrando que os bancos não são a fatalidade nefasta que Marx tomou por evidente 150 anos atrás, mas que é possível ao trabalhador produzir, sem se condenar a proletário. (pág. 1 e A3)

COLUNA

(Coluna do Estadão) - Será mesmo restrita a participação de ministros do Governo no programa eleitoral de FHC.

"Eles vão participar de acordo com a nossa conveniência e com a importância de suas áreas para a campanha", disse um coordenador de comitê.

Indagado se o senador José Sarney seria uma boa escolha para a presidência do PMDB, o ministro Eliseu Padilha responde: ,p 5,0 "O presidente tem todas as qualidades para o cargo e tenho certeza de que prega o discurso da unidade do partido". Na verdade, a ala governista do PMDB não acredita muito que Sarney queira ocupar o lugar de Paes de Andrade. (pág. A6)

O GLOBO

- Vigilância vai investigar farmácias de manipulação

- A Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária vai investigar as farmácias de manipulação porque está recebendo denúncias de falsificação de remédios dos laboratórios convencionais e de erros na preparação das fórmulas. No Rio, dos 20 medicamentos analisados pelo Laboratório Noel Nutels só cinco foram aprovados. Em março, um estimulante de apetite dado a um menino de 8 anos estava com dosagem 860% acima da prescrição. O garoto sofreu paralisia e foi internado numa UTI. (...) (pág. 1, 18 e 19)

- Numa campanha fria, a passagem pelo Rio do presidente Fernando Henrique Cardoso é uma oportunidade de ouro para quem disputa uma vaga de deputado. De olho na repercussão da visita e nas milhares de pessoas reunidas nos comícios no Parque Royal, na Ilha do Governador, e em Nova Iguaçu, candidatos esqueceram a coerência e as coligações de seus partidos. O mais importante para eles foi atrelar seus nomes à popularidade de Fernando Henrique - com 30% da preferência do eleitorado fluminense, segundo a última pesquisa. o Globo/TV Globo/Ibope. (pág. 4)

- O ministro da Fazenda, Pedro Malan, acredita que a crise financeira internacional pode reduzir o crescimento da economia mundial e brasileira até 1999. Para o ministro, a crise não será resolvida sem uma ação articulada do G- 7, o grupo que reúne os sete países mais industrializados do mundo. Malan diz que o mercado financeiro tem sido movido por uma combinação de ambição, medo e ignorância que impede os investidores de distinguir entre economias como a do Brasil e da Rússia, atual centro da crise que provocou a derrubada das bolsas de valores e de moedas do mundo inteiro. (...)

Ontem o Kremlin e o Parlamento de maioria comunista costuraram um acordo para reduzir os poderes de Yeltsin em troca da ratificação do nome do primeiro- ministro Viktor Chernomyrdin. O novo premier afirmou que não haverá volta à área soviética. (pág. 1, 33 a 43 e 46)

- Mais do que apaziguar os conflitos ou reforçar a campanha dos aliados, o presidente Fernando Henrique Cardoso está é disposto a invadir definitivamente a praia da oposição na viagem ao Rio. Terceiro colégio eleitoral e tradicional reduto da esquerda, o estado é apontado pelo comando de campanha como estratégico para assegurar a vitória no primeiro turno.

Nos dois maiores colégios eleitorais - São Paulo e Minas - Fernando Henrique já está com a liderança consolidada. É por isso que, apesar do mau relacionamento entre seus aliados, o Presidente decidiu passar o fim de semana no Rio. (...) (pág. 3)

- O ex-governador Leonel Brizola (PDT), candidato a vice-presidente na coligação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), está vivendo uma lua-de-mel com os petistas. Ele diz que está disposto a tudo para manter a união dos dois partidos, até a abrir mão de disputar a hegemonia da esquerda com o PT no Rio. Brizola defende a candidatura da senadora Benedita da Silva à prefeitura em 2000. (pág. 2 e 5)

- (Lisboa) - Os governos do Brasil e de Portugal assinarão em breve um acordo que permitirá a transferência de presos de um país para o outro. Se esse acordo já estivesse em vigor em abril, o padre brasileiro Frederico Marques Cunha, que fugiu da penitenciária de Vale dos Judeus e voltou para o Brasil, estaria cumprindo numa cadeia brasileira a outra metade que ainda lhe restava da pena de 13 anos de prisão por abuso sexual e assassinato de um jovem de 15 anos. (pág. 15)

- A estiagem prolongada e a baixíssima umidade relativa do ar, que devem perdurar até a terceira semana de setembro, estão ampliando os focos de incêndios e agravando os riscos de desastre ecológico no chamado Arco do Desmatamento, uma faixa de três mil quilômetros de extensão, cortando o Brasil de Leste a Oeste um pouco abaixo da linha do Equador. O alerta foi dado ontem pelo Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Governo (CPETC) à unidade de gerenciamento do Programa de Prevenção e Controle de Queimadas (Proarco), que montou uma sala no Ibama para acompanhar a evolução do incêndio. (pág. 17)

- Os 62 índios pataxós-hã-hã-hãe da aldeia Bahetá, no Sul da Bahia, estão ameaçados de sumir do mapa porque todas as mulheres em idade fértil sofreram ligadura de trompas durante a campanha eleitoral de 94. A esterilidade foi denunciada por líderes indígenas à Funai, que já pediu ao Ministério Público abertura de inquérito. Os índios dizem que o deputado federal Roland Lavigne (PFL-BA) patrocinou as laqueaduras em troca de votos, mas ele nega. (pág. 1 e 12)

EDITORIAL

"mobilização total" - Menores pedindo esmola nos sinais de trânsito já fazem parte da paisagem do Rio de Janeiro. Por trás de cada criança que vive nas ruas, há geralmente uma família inteira contando com as esmolas que ela recebe para se alimentar. (...)Diante de atrativo tão forte, é duvidoso que a prefeitura seja capaz de encontrar, sozinha, uma solução. (...) (pág. 6)

COLUNAS

(Panorama Político - Tereza Cruvinel) - O voto não é mais de cabresto, mas a urna eletrônica, sinal de modernidade, convive com resquícios da República Velha. O mais forte deles, o mando familiar, é facilitado por uma hipócrita lei de inelegibilidades. Ela proíbe o filho de um governador de disputar a Câmara mas permite a comunhão familiar dos votos a que se dedicam, entre outros, Íris Resende e Siqueira Campos. Suplência de senador virou capitania hereditária. (...) (pág. 2)

(Ricardo Boechat) - É baixo o interesse da população em torno das próximas eleições para o Congresso.

A constatação é do Ibope.

No Rio e em São Paulo, 80% dos eleitores ignoram em qual deputado votarão.

Para o Senado, o índice é 60%.

Quarta-feira, o TSE multou o ministro da Previdência, Waldeck Ornellas, por ter enviado cartas aos segurados do INSS relatando programas de sua paste.

Anteontem, milhões de folhetos assinados pelo ministro José Serra, relativos à campanha de prevenção ao câncer do útero, começaram a inundar o País.

O PT quer que a Justiça Eleitoral volte a agir com rigor. (pág. 22)

CORREIO BRAZILIENSE

- Brasil tem um ano para ajustar contas públicas

- Investidores e economistas advertem: qualquer que seja o próximo Presidente da República, o desafio será o mesmo. É muito mais difícil que eliminar a inflação. O entrave maior da economia brasileira hoje é o déficit público de US$ 63 bilhões - diferença entre o que o País gasta e arrecada. Num momento em que o mundo assiste à falência da Rússia, no rastro das crises que já abateram os chamados Tigres Asiáticos e o Japão, o recado que vem de fora é claro: o Brasil tem que reduzir pela metade, em no máximo um ano e meio o rombo nas contas públicas.

"Com isso o Governo devolverá a confiança aos investidores e mostrará que efetivamente o Brasil é diferente de delinquentes como a Rússia", aconselha em entrevista ao "Correio" o economista Paulo Leme, um dos especialistas brasileiros mais influentes no exterior. Para ele, o sobressalto financeiro pelo mundo afora só acabará quando os Estados Unidos baixarem seus juros básicos e o Japão se recuperar. O governo russo convocou às pressas o ex-superministro Domingo Cavallo, que venceu a hiperinflação na Argentina, para salvar o país da falência total. (pág. 1, 16 a 20)

- José Wilson Siqueira Campos é quase um deus em Tocantins. Ele brigou por três décadas para criar o estado e construiu do pó a capital Palmas. Governou sua cria por 10 anos, mas tem na ponta da língua uma justificativa quase celestial para explicar a busca de mais um mandato: "A obra não está completa". (...) (pág. 1 e 10)

JORNAL DE BRASÍLIA

- Crise impõe ao Brasil novo modelo econômico

- Os efeitos da crise ainda não estão sequer dimensionados. Mas o abalo provocado na economia mundial, atingindo desta vez os Estados Unidos e a Europa, impõe ao Brasil uma mudança no modelo econômico. O País não poderá mais contar com generosos fluxos de capitais externos. Além de rever metas de crescimento, o Governo terá de redirecionar as políticas de comércio exterior e investimentos.

Aumentar as exportações não será mais suficiente: a partir de agora será preciso reduzir as importações, principalmente aquelas consideradas predatórias à produção interna. Os investimentos deverão ser direcionados para setores que não exigem a participação de muito capital externo e dependam o mínimo de bens importados, como é o caso da construção civil, saneamento e agricultura.

O autor dessas opiniões é o ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros. Nesta entrevista, concedida no final da manhã de sexta-feira, ele faz uma análise da crise mundial e seus desdobramentos sobre a economia brasileira. O que ele anuncia como inevitável, guarda semelhança com o que o PT vem defendendo. O ministro rebate: "Nem tudo que o PT defende está errado e nem tudo que ele defende, só ele defende". A diferença, segundo o ministro, é que o PT não tem visão macroeconômica e falta ao partido "competência". (...) (pág. 1 e 5)

ZERO HORA

- Até o dia 7 de setembro, todo Rio Grande do Sul terá mudas de pau-brasil, a primeira riqueza nacional explorada por estrangeiros, Assim como o ouro. a planta, genuinamente brasileira, foi o símbolo escolhido para marcar os lugares por onde os cerca de 600 integrantes da Marcha Pelo Brasil estão passando desde o dia 3 de agosto, quando as primeiras colunas formadas por agricultores, professores, estudantes, sindicalistas, políticos e desempregados saíram de Erechim, Santa Rosa, São Borja e Uruguaiana, todas em direção a Porto Alegre. A previsão é de que essas centenas de marchadores se encontrem na capital no dia 3, mas o ato de união dos quatro grupos ocorrerá no dia 7, dia da Independência do Brasil, quando atos políticos batizados de Grito dos Excluídos serão realizados em todas as capitais do País. (pág. 6)

- A primeira Expointer, depois do reconhecimento da zona livre de febre aftosa com vacinação, foi aberta na manhã deste sábado, em Esteio, sob o signo da consolidação da integração econômica dos países do Mercado Comum do Sul (Mercosul). A partir do dia 9 de setembro, um primeiro lote de 230 animais gaúchos, de um total de mil exemplares, vai ser criado e engordado na Argentina. Conforme o ministro da Agricultura, Francisco Turra, a iniciativa representa o início da integração da cadeia produtiva da carne. Os animais pertencem ao pecuarista Pedro Paulo Gonçalves, de Rosário do Sul, e vão para a propriedade que o criador tem naquele país. (pág. 16 a 23)

- Um número cada vez maior de mulheres ocupa a linha de frente das milícias organizadas por indignados pecuaristas gaúchos na Região da Campanha. Há quatro meses, elas deixaram de lado as atividades campeiras para participar das barreiras à beira das porteiras das estâncias, transformadas em palanques de protesto da classe rural contrária às vistorias do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O toque feminino do levante dos donos das terras já representa um terço dos manifestantes. (...) (pág. 24)

MANCHETES

HOJE EM DIA (MG)

- Comer em BH é um perigo

JORNAL DO COMMERCIO (PE)

- Candidatos entram na reta final da briga pelo voto

ZERO HORA (RS)

- Candidatos enfrentam prova da educação

O DIA (RJ)

- O que muda nos planos de saúde

REVISTAS

ÉPOCA

As carreiras a seguir segundo seu jeito de ser
Profissões da moda nem sempre são as melhores opções
Os cursos mais procurados

Economia: tremor no país do Real - O Brasil é sacudido pelos abalos do terremoto financeiro externo. Crise dá o tom da campanha. Até no Governo há quem considere o País "a bola da vez". (pág. 22 a 27)

Pesquisa: que país é este? - Estudo do IBGE mostra um Brasil que oferece mais conforto aos seus cidadãos - mas ainda vive vergonhosas contradições sociais. (pág. 32 a 34)

Entrevista: amarguras brizolistas - Vice na chapa de Lula, Brizola admite ter diferenças com Rossi, chama César Maia de idiota e se diz ex-amigo de FH. (pág. 36 e 37)

Especial: palanque milagroso - FH mostra que não há limite de idade para mudar o temperamento. Coisas da política. (pág. 38 a 41)

Profissões: a hora da decisão - A proximidade da data de inscrição no vestibular aumenta angústia de jovens que não sabem qual carreira seguir. (pág. 60 a 65)

Trânsito: intolerância ao álcool - Teste mostra a dificuldade em estabelecer um índice com base científica para embriaguez. (pág. 74 e 75)

Fundos de pensão: a previ está cheia de só abrir o caixa - Órgãos do Governo não se entendem sobre a fiscalização das empresas de medicina privada. (pág. 109)

VEJA

TÍTULOS DE CAPA:

- O mundo em pânico

- Rússia: O rublo se esfarela e o regime balança

- Brasil: Somos a bola da vez?

- Bolsas: O que pode acontecer?

- Futuro: Os riscos de uma recessão global

Brasil: a bandeira do emprego - FHC promete criar 7,8 milhões de empregos. Lula, 155 milhões. Dá para acreditar? (pág. 33 a 39)

Brasil/reforma agrária: falou demais - FHC insinua que MST mexe com maconha. (pág. 42)

Amazônia: é fogo, outra vez - Há meses sabia-se que o risco de queimadas era grande neste ano. Ninguém fez nada. (pág. 106 e 107)

População: feira de novidades - Na nova pesquisa do IBGE, o Brasil continua desigual, mas tem números surpreendentes. (pág. 116 e 117)

Economia e negócios: o terror que vem da Rússia - Moscou detona uma nova crise mundial com calote de 32 bilhões de dólares. (pág. 120 a 126)

ISTOÉ

TÍTULOS DE CAPA:

- FHC contra a crise

- O plano para evitar que o crash ameace o Real antes da eleição

- As medidas que serão adotadas se Fernando Henrique for reeleito

- Rússia faz as Bolsas viverem as piores baixas do ano

Entrevista: "o plano real acabou" - O deputado Delfim Netto diz que a estabilização está encerrada e só com subsídios à exportação o Brasil se salva da crise dos países emergentes. (pág. 4 a 6)

Brasil: malan na frigideira - Governo acha que crise não afeta eleição, mas o crash das Bolsas põe em xeque o modelo da atual equipe econômica. (pág. 28 a 33)

Internet: enxergando no tempo - Tecnologia doada por empresa americana vai ajudar os brasileiros a encontrar crianças desaparecidas. (pág. 38 e 39)

Rio de janeiro: guerra sem fronteira - Médicos que fazem trabalho voluntário nas favelas cariocas dizem que situação é pior do que o conflito na Bósnia. (pág. 42 e 43)

Clandestinos do Brasil - Cem mil estrangeiros ilegais são vítimas de discriminação no País e sobrevivem engrossando o cordão dos subempregados. (pág. 48 a 52)

Entrevista: o social vai se agravar - O senador José Sarney faz um alerta sobre os efeitos da quebradeira mundial e diz que não aceita ser presidente do PMDB nem ministro de FHC. (pág. 56 e 57)

Economia _& negócios: cigarro é prejudicial ao fisco - Cerca de 30% do fumo consumido no Brasil entra pela fronteira como contrabando. (pág. 100 a 103)

Fiesp: faraó da pirâmide vazia - Numa eleição esquecida, Horacio Later Piva assume o desafio de devolver ao empresariado paulista a relevância de outros tempos. (pág. 104 a 105)

Pecuária: rebanho com griffe - Com a ajuda do amigo Jovelino Mineiro, FHC incrementa seu gado e vende 33 touros em leilão. (pág. 108 e 109)

ATENÇÃO

O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br, na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas, inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.

Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

O endereço na Internet é www.brasil.gov.br

O telefone para solicitação de publicações é:061-411.4892.

O email da Secretaria de Comunicação Social é: secom@planalto.gov.br