05/10/1998

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- FH se reelege e ganha mais força para enfrentar a crise

- Pela primeira vez em 109 anos de República, os brasileiros reelegeram ontem um presidente, Fernando Henrique Cardoso, dando-lhe na maior eleição da história do País uma votação largamente majoritária que lhe aumenta a autoridade para executar imediatamente o seu duro programa de ajuste econômico. As pesquisas de boca-de-urna prevêem que Fernando Henrique terá 56% (Ibope e Vox Populi) ou 57% (Datafolha) dos votos, contra 29 ou 30% de Luiz Inácio Lula da Silva. Na apuração oficial, apurados 36,08% ds urnas, Fernando Henrique Cardoso tinha 51% dos votos, contra 34% de Lula, que às 8h20 de ontem, pouco depois do início da votação, admitia a derrota, dizendo não compreender como "o povo votou em seu próprio carrasco".

Eleito pela primeira vez em 1994 também no primeiro turno, com 54% dos votos válidos, o Presidente votou ontem em São Paulo e retornou a Brasília às 18h25, reunindo-se no Palácio do Alvorada com d. Ruth, filhos, netos, ministros e assessores. Só vai comentar o resultado da eleição depois que o TSE anunciar o resultado oficial das eleições.

No Rio, com 44,41% das urnas apuradas, as projeções sobre os números do TRE indicam que Garotinho (PDT) e César Maia (PFL) disputarão o cargo de governador no segundo turno. As pesquisas de boca-de-urna do Ibope, Datafolha e Vox Populi não davam certeza de segundo turno no Rio, previsto pela última pesquisa JB/UFF, publicada sábado pelo "Jornal do Brasil".

As grandes surpresas das eleições deste ano estão ocorrendo em São Paulo, onde Martha Suplicy (PT) disputa com Mário Covas (PSDB) a vaga para enfrentar Paulo Maluf (PPB) no segundo turno; no Rio Grande do Sul, onde Olívio Dutra (PT) está à frente de Antônio Britto (PMDB) na apuração; e em Goiás, onde o imbatível Íris Resende (PMDB) começou atrás na apuração. Segundo o porta-voz Sérgio Amaral, o Presidente ficou satisfeito com o "clima de absoluta tranquilidade" das eleições em todo o País. (pág. 1, 2 a 20)

- (São Paulo) - O candidato a presidente pela frente oposicionista União do Povo Muda Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse ontem que "Fernando Henrique Cardoso é o carrasco da economia brasileira, responsável por um dos maiores desastres econômicos da história do Brasil". E foi além, ao sair de seu apartamento em São Bernardo do Campo, no ABC paulista: "Acho até incompreensível que as vítimas votem em seu carrasco". (...) (pág. 2)

- O candidato a vice-presidente Leonel Brizola reconheceu ontem, após votar na Escola Municipal Penedo, em Copacabana, que a chapa oposicionista Muda Brasil, liderada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não vencerá as eleições, mas disse que ele e Lula saem como os grandes vencedores do pleito. "Estamos alcançando uma grande vitória. As pesquisas dizem que não vamos alcançar a vitória, mas vitória é colocar o governo contra a parede. Se as pesquisas realmente se confirmarem, será muito ruim para o Brasil". (...) (pág. 2)

- (Fortaleza) - O candidato do PPS à Presidência da República, Ciro Gomes, votou em Fortaleza, às 10h10, mostrando confiança na realização do segundo turno. Ciro anunciou que continuará perseguindo o objetivo de sua campanha, "propor alternativas para o País". Sempre bem humorado, cumprimentando os eleitores, Ciro falou em tom de denúncia: "Eles quiseram enganar os eleitores afirmando que uma possível vitória da oposição geraria o caos. Mas o povo está consciente". (...) (pág. 2)

- Depois de um fim de semana de intensas reuniões que precedem a assembléia do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington, o mercado reabre nesta segunda-feira em clima de decepção. As nações mais ricas, que formam o G-7, foram pródigas até agora em declarações sobre a gravidade da crise que atinge os países emergentes, mas não chegaram perto de um entendimento sobre soluções concretas. "O G-7 não fez nada de realmente útil ou construtivo na última década. Ninguém deveria estar desapontado", disse Adam Posen, do International Institute for Economics. A expectativa é que as bolsas mundiais caiam mais hoje. O ministro da Fazenda, Pedro Malan, que foi aplaudido por uma platéia de banqueiros em Washington ao comunicar que as pesquisas de boca-de-urna ontem davam a vitória ao presidente Fernando Henrique, afirmou que o Governo vai anunciar "muito, muito rapidamente", as metas de ajuste fiscal. (pág. 1 e 23)

- (Belo Horizonte) - A disputa pelo apoio dos petistas e pelo engajamento do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) na campanha em Minas já está movimentando os dois candidatos que deverão estar no segundo turno, segundo a pesquisa de boca-de-urna do instituto Vox Populi, que aponta 45% das intenções de voto para Itamar e 41% para Eduardo Azeredo. O governador tucano, que tenta a reeleição, lembrou que Fernando Henrique precisará "contar com um aliado em Minas, especialmente neste momento delicado de crise econômica". O presidente Itamar Franco, candidato do PMDB, disse que em três dias começará a conversr com o PT, mas seu vice, o ex-governador Newton Cardoso (PMDB), já garante que os petistas marcharão ao lado de Itamar. (...) (pág. 16)

- O presidente do Congresso, Antônio Carlos Magalhães, votou no Clube Esportivo Baiano de Tênis, no Bairro da Graça, onde mora. Como nas eleições anteriores, seguiu a pé do prédio onde mora, até o clube, acompanhado do neto, do governador César Borges, do candidato ao Senado, Paulo Souto (PFL), do ministro da Previdência Social, Waldeck Ornellas, e do prefeito de Salvador, Antônio Imbassahy. "A vitória ainda no primeiro turno de Borges, em um estado como a Bahia, dará ao presidente Fernando Henrique a tranquilidade necessária para executar as mudanças que o Brasil precisa", disse após votar. (...) (pág. 17)

- O senador José Sarney (PMDB), candidato à reeleição ao Senado pelo Amapá, espera uma vitória consagradora, que lhe garanta o status de senador mais bem votado do País, em termos proporcionais. Pesquisas de opinião pública realizadas no estado mostravam realmente uma tendência nesse sentido. Sarney abria vantagem de cerca de 40% sobre o segundo colocado, o vice-governador Ildegardo Alencar (PPS), que conta com o apoio do governador João Alberto Capiberibe (PSB), também candidato à reeleição. Na opinião de Sarney, a eleição no Amapá será decidida em segundo turno, entre Capiberibe, da coligação Amapá para Todos, e Walder Góes (PDT). (...) (pág. 17)

EDITORIAL

"Balaio de gatos" - Não é possível que o Brasil passe para o próximo século com uma legislação eleitoral de quinta categoria, feita e refeita a cada nova legislatura para acomodar os interesses de parlamentres que se elegem por acidente e são despachados na eleição seguinte. O índice de renovação no Congresso e nas assembléias legislativas, a cada ano, vai a mais de 60%, porque o País não dispõe de lei eleitoral que exija qualificações mínimas dos que se candidatam a cargo eletivo.

A falta de legislação que estabeleça critérios mais rigorosos para a escolha de candidatos é que leva a essa oferta de baixa extração que lota os programas eleitorais no rádio e na televisão com os Carlinhos Diga o Resto, Pato Preto, Zé da Cuia e Maria Cabaço. A democracia brasileira atinge a maioridade e o eleitor já merece melhor oferta. Não é possível que as decisões mais importantes da Nação e dos estados na virada do século tenham que ser entregues aos Dragon Fly e Zezinhos Orelha. (...) (pág. 8)

COLUNAS

(Coisas da Política - Rosângela Bittar) - Com a ressalva de que desta vez os recados do eleitor não estão tão claros como estavam em 1996, quando mandou dizer, mesmo sem o instituto da reeleição, que gostou de obras nas cidades e por isso queria a continuidade do trabalho dos prefeitos votando em seus candidatos, o cientista político Marcos Coimbra, diretor do instituto Vox Populi, concluiu sobre esta eleição presidencial: "Depois de tantos anos de frustrações e decepções, o eleitor parece ter resolvido preservar o pouco que julga ter, mesmo com a clara consciência de que está longe do ideal, do desejado e até do que esperava". (...) (pág. 2)

(Informe JB - Marcia Carmo) - Qual será o futuro da oposição brasileira depois do resultado de ontem?

O senador Roberto Freire, candidato a vice de Ciro Gomes, vai investir na sedução de petistas mais moderados como o governador de Brasília, Cristovam Buarque, o deputado Eduardo Jorge e o ex-prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro, um dos coordenadores da campanha de Lula:

"O mundo mudou e não podemos, por exemplo, negar o processo de privatizações. É uma questão econômica e não ideológica. Do contrário, grande parte da esquerda vai ser, já, já, acusada de conservadora".

Tarso Genro reconhece que o PT tem que discutir, imediatamente, um projeto de união. Para ele, a tese de combate ao neoliberalismo é o único tema que poderá unir moderados e radicais do partido de Lula.

Tarso aceitaria ser o substituto de Lula nas próximas eleições?

"Não falei sobre isso com ninguém, mas estou disponível para qualquer tarefa".

Um dos mais criticados pela própria oposição, Leonel Brizola continua achando que Lula, só ele e ninguém mais, é a solução: "Como Getúlio Vargas, Lula foi o único que realmente se preocupou com o trabalhismo no Brasil. Por isso nos próximos 20 anos será fundamental para a política brasileira". (pág. 6)

FOLHA DE SÃO PAULO

- FHC é o primeiro presidente a se reeleger na história do país

- Fernando Henrique Cardoso, 67, conquistou ontem, em primeiro turno, seu segundo mandato para a Presidência da República. É a primeira reeleição da história do País. Segundo pesquisa de boca-de-urna realizada pelo Datafolha, FHC (coligação PSDB, PFL, PPB, PTB e PSD) obteve 56% dos votos válidos na 20ª eleição por voto direto. O segundo mandato de FHC começa em 1º de janeiro de 1999.

Luiz Inácio Lula da Silva (coligação PT, PDT, PSB, PC do B e PCB) ficou em segundo, com 30% dos votos válidos. Em terceiro lugar, Ciro Gomes (PPS) obteve 10% dos válidos.

O resultado marca a terceira derrota do petista em eleição presidencial - no pleito anterior, em 1994, FHC obteve 54,3% dos votos válidos, contra 27% dados a Lula.

"Eu seria um presidente bem melhor para o País", disse Lula depois de votar em São Bernardo do Campo (SP). FHC votou em São Paulo. Ao sair da seção, disse apenas "votei no Covas", referindo-se ao governador licenciado de São Paulo, candidato à reeleiçõa.

A decisão da sucessão em São Paulo ficou para segundo turno. Paulo Maluf (PPB), em primeiro, obteve 34% dos votos válidos. O segundo lugar está indefinido: Mário Covas (PSDB) tem 21%, Marta Suplicy, 19%, e Francisco Rossi (PDT), 18%. A margem de erro da pesquisa Datafolha é de dois pontos percentuais, para cima ou para baixo. (pág. 1 e cad. Eleições)

- Pesquisas de boca-de-urna indicam que haverá segundo turno em São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Pará, quatro dos dez maiores estados em número de eleitores. A pesquisa não apontou definição no Rio.

Em Minas, a disputa será entre Itamar Franco (PMDB) e o atual governador, Eduardo Azeredo (PSDB). Há empate estatístico no Rio Grande do Sul entre Antônio Britto (PMDB) e Olívio Dutra (PT). Almir Gabriel (PSDB) disputa com Jáder Barbalho (PMDB) no Pará.

A corrida para 2002 começa sem candidatura natural à Presidência entre os quatro maiores partidos. (pág. 1, cad. Esp., pág. 5 e cad. Esp., pág. 22)

- O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse ontem a investidores internacionais, em seminário realizado em Washington, que o Governo anunciará medidas de estabilização fiscal em "poucos dias", informa Marcio Aith.

Malan abriu discurso informando sobre a reeleição de FHC. O anúncio foi recebido com palmas e exclamações de entusiasmo pelos cerca de 500 banqueiros que participavam do seminário, relata Celso Pinto.

Malan adiantou que não vai acelerar a desvalorização do real nem impor medidas para evitar a saída de capital estrangeiro. Informou que o Governo pretende mexer na legislação sobre responsabilidade fiscal, principalmente nos estados. (pág. 1, 1-9 e cad. Esp. pág. 4)

- Eduardo Suplicy (PT) é o virtual senador eleito por São Paulo, com 42% dos votos válidos, segundo pesquisa de boca-de-urna feita pelo Datafolha.

A disputa mais apertada para o Senado acontece em Minas: José Alencar (PMDB) tem 46%, e Júnia Marise (PDT), 43%. Saturnino Braga (PSB) vence no Rio, com 42%. (pág. 1 e cad. Esp., pág. 9)

EDITORIAL

"O segundo mandato"- Fernando Henrique Cardoso está virtualmente reeleito. Sua expressiva vitória indica tanto que ainda perduram os efeitos sociais da estabilização, como evidencia a confiança de que FHC seria o melhor nome mantê- los, apesar da crise.

Mas, se o presidente reeleito sai revigorado do pleito, dificilmente terá a margem de manobra e o tempo de que dispôs no primeiro mandato. O consenso em torno do Real tende a se enfraquecer ou mesmo a se romper conforme evolui o segundo governo. O espectro da sucessão de 2002 deve influenciar progressivamente o comportamento de lideranças e partidos. Na área econômica, FHC terá de pagar sua parte do custo de ter demonstrado pouca energia tanto na condução das reformas como na correção do rumo do Real. (...) (pág. 1-2)

COLUNA

(Painel) - Para o tucano Pimenta da Veiga, um esforço do Governo para aprovar projetos ainda neste ano no Congresso só dará certo se "o balcão não for aberto". Isso significa que FHC teria de abandonar a prática que adotou no primeiro mandato.

Se depender de FHC, o novo Ministério só sei em fevereiro. (pág. 1-4)

O ESTADO DE SÃO PAULO

- FHC, reeleito, prepara defesa do real

- Fernando Henrique Cardoso (PSDB) reelegeu-se ontem e será o primeiro presidente da história do País a exercer o mandato pela segunda vez consecutiva. De acordo com a pesquisa boca-de-urna do Ibope-TV Globo-Estado, ele obteve 56% dos votos válidos, afastando a possbilidade de segundo turno. Seu principal oponente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ficou com 29%, enquanto Ciro Gomes (PPS) chegou a 11% e Enéas Carneiro obteve 2% da preferência do eleitor.

No total, todos os adversários somaram 44% dos votos. FHC deverá ter cerca de 40 milhões de votos, 6 milhões a mais do que em 94. O Presidente é reeleito em meio a uma crise interna e externa que representa um desafio muito mais complexo do que a derrubada da inflação, com o lançamento do Plano Real, há quatro anos.

FHC começa a trabalhar esta semana para ter, no Congresso, o apoio necessário para o ajuste fiscal. Em Washington, a notícia da reeleição foi anunciada aos investidores na reunião anual do FMI pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan. "O Presidente foi reeleito com mais de 50% dos votos", disse Malan. A platéia respondeu com uma calorosa salva de palmas.

Em seus discursos de ontem, Malan negou qualquer hipótese de alteração na política cambial e na taxação de saída do capital externo. Ao mesmo tempo, reiterou a decisão do Governo de enfrentar os problemas que tornaram o País vulnerável à crise. "Muito rapidamente, o Governo anunciará seu programa fiscal trienal", informou, explicando que Fernando Henrique exigiu a fixação de metas de superávits primários crescentes entre 1999 e 2001. Isso será "o ponto central do segundo mandato do Presidente". Ao admitir a derrota, Lula disse que as "vítimas" votaram no "carrasco". (pág. A4 e B5)

- A eleição para o governo do Rio estava indefinida. Em MG e no RS, deverá haver segundo turno. (pág. A13 a A15)

- Com o respaldo da reeleição, o Governo Fernando Henrique Cardoso deve adotar medidas para enfrentar a crise econômica. É quase certo que, para equilibrar as contas, além da redução de despesas (corte de servidores e de investimentos), haverá uma busca de maior receita (aumento de impostos e contribuições). As exportações deverão ser privilegiadas e os gastos cambiais ficarão sob forte vigilância, até com a provável restrição na cota de dólares de quem viaja para o exterior. (pág. 1 e cad. Suas Contas)

- Marta Suplicy (PT) surpreendeu em relação às últimas pesquisas e mantém disputa equilibrada com Mário Covas (PSDB) na apuração dos votos para governador de São Paulo que definirá o adversário de Paulo Maluf (PPB) no segundo turno. Pesquisa de boca-de-urna, feita ontem pelo Ibope-TV Globo-Estado, indica empate entre Covas e Marta, com 20% dos votos válidos para cada um. Maluf lidera o levantamento, com 34%. Francisco Rossi (PDT) aparece em quarto lugar, com 18%. Partidários de Covas animaram-se com os primeiros números da apuração. Maluf planeja a campanha para o segundo turno. Para o Senado, a vaga ficou com Eduardo Suplicy. (pág. 1, A8 e A9)

- A maior ameaça à economia mundial não está mais no eventual colapso dos países emergentes, mas na possibilidade de uma recessão global por falta de crédito para os negócios. O tema dominou a reunião do FMI e do Bird, em Washington. Ontem, no Comitê Interino do FMI, o ministro Pedro Malan pediu o apoio dos países industrializados, em nome da América Latina. (pág. 1, B5 e B6)

- Reeleito com uma votação recorde, o presidente Fernando Henrique Cardoso começa a trabalhar esta semana para ter, no Congresso, o apoio necessário para o ajuste fiscal. O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), reagiu com cautela ao anúncio de que o ajuste terá de ser sustentado no aumento de impostos, feito em entrevista ao "Estado" pelo diretor de Política Monetária do Banco Central, Francisco Lopes. (...) (pág. A5)

- (Fortaleza) - O candidato do PPS à Presidência, Ciro Gomes, queixou-se ontem, depois de votar no Colégio Santo Inácio, de ter sido boicotado pelos meios de comunicação. Ciro mostrou um levantamento do espaço dedicado aos três principais candidatos à Presidência pelos quatro maiores jornais do País, entre 24 de julho e 3 de outubro. Por esse levantamento, o presidente Fernando Henrique Cardoso teria ocupado 58% do espaço, o candidato da frente de esquerdas, Luiz Inácio Lula da Silva, 37%, e ele a penas 5%. (...) (pág. A6)

EDITORIAL

"Um voto racional, um claro mandato" - O real elegeu o reelegeu Fernando Henrique Cardoso. Mas, ao contrário da euforia pela derrubada da inflação com que os brasileiros foram às urnas em 1994, o que se viu agora foi uma manifestação de pura racionalidade. (pág. 1 e A3)

COLUNA

(Coluna do Estadão) - Reeleito com quase 60% dos votos válidos, segundo as pesquisas de boca-de-urna, Fernando Henrique está mais do que credenciado para impor o ajuste fiscal necessário para livrar o País de uma crise pior. É o que se poderia dizer, com tranquilidade, de um Presidente que sai das urnas com seu poder renovado por ampla maioria dos eleitores. O problema é que "não dá para fazer o ajuste de R$ 25 bilhões sem aumentar impostos", como explicou o diretor de Política Monetária do Banco Central, Francisco Lopes, em entrevista a Suely Caldas, publicada ontem no "Estado". Mais de R$ 10 bilhões terão de vir de novos impostos, disse. Políticos e empresários, sem falar no povo, nunca gostaram dessa saída.

"Aumento de impostos é a última coisa a fazer e não se discute isso agora", disse ontem o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães. (pág. A-6)

O GLOBO

- Reeleição com votação recorde dá força para FH enfrentar crise

- Primeiro presidente reeleito pelo voto direto na história do Brasil, Fernando Henrique Cardoso terá a partir de hoje, uma força renovada pelas urnas para enfrentar a crise econômica. Se forem confirmadas as previsões da pesquisa de boca-de-urna do Ibope, Fernando Henrique terá 56% dos votos válidos, a maior votação da história do País, superando o recorde do presidente Eurico Gaspar Dutra, que teve 55% dos votos válidos.

O ministro Pedro Malan foi muito aplaudido em Washington, numa reunião com representantes de vários países ao anunciar a reeleição de Fernando Henrique.

Ele garantiu que não haverá pacote pós-eleitoral: "Não haverá o dia em que será travada a mãe de todas as batalhas", disse Malan. Pela boca-de-urna do Ibope, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), terá 29% dos votos. Ele disse que a oposição sairá fortalecida da eleição, por ampliar a união da esquerda no Congresso.

A reeleição não foi tão fácil para os governadores: apenas seis estão reeleitos no primeiro turno, de acordo com o Ibope: César Borges (PFL-BA); Roseana Sarney (PFL-MA); Tasso Jereissati (PSDB-CE); Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN); Jaime Lerner (PFL-PR); e Dante de Oliveira (PSDB-MT). Até 21h35 de ontem, com 22% dos votos apurados, o resultado oficial era de 50,75% para Fernando Henrique e 34,31% para Lula.

A pesquisa de boca-de-urna apontou empate entre a votação de Anthony Garotinho e a soma da votação dos demais candidatos ao governo do Rio, não se sabendo ainda se vai haver segundo turno. Se houver, será entre Garotinho e Cesar Maia. Em São Paulo, haverá segundo turno entre Paulo Maluf e Mário Covas ou Marta Suplicy, empatados em segundo lugar. (pág. 1, 3 a 18 e 30 a 33)

- (São Paulo) - Aplaudido por cabos eleitorais e curiosos que se aglomeravam em frente à Escola Estadual Alberto Levy, em São Paulo, Fernando Henrique foi rápido ao votar. Após quase uma hora e meia de viagem entre Brasília e São Paulo, o Presidente, que já está reeleito, segundo pesquisas de boca-de-urna, levou 30 segundos para digitar os números de seus candidatos na urna eletrônica da 72ª seção e fez questão de deixar clara a sua opção.

"Eu votei no Covas", disse, antes de entrar no carro da Presidência da República. (...) (pág. 4)

- (São Paulo) - A primeira-dama, Ruth Cardoso, demonstrou confiança na vitória no primeiro turno do presidente Fernando Henrique Cardoso, mas não desprezou a campanha do candidato da oposição Luiz Inácio da Silva na disputa para que haja o segundo turno.

Dona Ruth votou por volta das 12h na Fundação Armando Álvares Penteado, em Higienópolis, Zona Oeste da capital paulista, cercada por assessores e seguranças. Bem-humorada, ela sorriu para os eleitores e chegou a abraçar algumas pessoas que se aproximaram apresentando-se como eleitores de Fernando Henrique. (...) (pág. 4)

- Ao pedir votos para a reeleição do governador Mário Covas (PSDB) em São Paulo, o ministro da Saúde, José Serra, disse que é hora de lutar pelas reformas. Ele defendeu a aprovação da emenda da reforma da Previdência, que já está sendo negociada no Congresso como medida de urgência no combate à crise e sugeriu a regulamentação da reforma administrativa. Uma das convicções do ministro é de que a alíquota da CPMF não será aumentada.

Segundo Serra, a emenda que pede a prorrogação do imposto para o ano que vem foi aprovada numa comissão da Câmara com a atual alíquota de 0,2% e isso não pode ser mudado. Ele nega que haja a intenção de se enviar outra emenda ao Congresso. (pág. 5)

- O ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, votou ontem num colégio a poucas quadras de sua casa, na zona sul de São Paulo. Na ocasião, ele afirmou que a eleição de novos governadores deverá facilitar o corte de gastos nos estados. Bem-humorado, Mendonça de Barros declarou ter votado no candidato Mário Covas (PSDB) para o governo de São Paulo. Ele defendeu a luta pela aprovação das reformas e aposta que ainda neste ano deverá sair a aprovação das reformas administrativa e previdenciária. (...) (pág. 5)

- Depois de votar na Unicamp, em Campinas, o ministro da Educação, Paulo Renato, disse que o presidente Fernando Henrique deve ser reeleito porque os eleitores escolheram a segurança e a estabilidade. Ele, que não pretende deixar o MEC, disse que o Presidente evitou a possibilidade de o real entrar em colapso. O ministro também afirmou que a flexibilização das grades horárias das universidades começará no ano 2000. Segundo ele, as universidades fizeram 800 propostas, a maioria pedindo a redução das aulas obrigatórias. (...) (pág. 3)

- (São Paulo) - Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT à Presidência, disse ontem, antes de votar, que considera incompreensível que "as vítimas votem no seu carrasco", referindo-se à reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. Ao sair de casa, de manhã, ao lado de sua mulher Marisa, Lula já demonstrava que não acreditava numa virada de última hora e fez previsões pessimistas para o segundo mandato de Fernando Henrique, ao afirmar que ele levará o País para o abismo. Segundo Lula, a economia vai retroceder, voltando aos patamares de crescimento dos anos 80. Ele classificou ainda a eleição deste ano como "a mais manipulada" de todas as que já participou. (...) (pág. 8)

- (Fortaleza) - O candidato do PPS à Presidência, Ciro Gomes, esperou 40 minutos na fila para votar. Mas, ao chegar à urna, às 11h, não foi ele quem votou: passou a incumbência ao filho Yuri, de 9 anos. Sem maiores problemas, o menino digitou os números dos candidatos do pai, além do próprio. Ciro disse que ainda é cedo para avaliar o papel que terá daqui por diante, uma vez que os votos ainda não foram apurados. Mas reconhece que o patamar de 10% dos votos não é desprezível e pode credenciá-lo como um novo líder nacional. (...) (pág. 9)

- (Juiz de Fora-MG) - O ex-presidente Itamar Franco, candidato ao governo de Minas pelo PMDB, que disputará o segundo turno com o governador Eduardo Azeredo (PSDB), começa a conversar com os partidos de oposição - PT e PSB - esta semana. Itamar tem 44% na boca-de-urna e Azeredo, 38%. Ao votar ontem, já deu a entender que dificilmente manterá a neutralidade em relação ao Governo federal. O ex- presidente afirmou que a reeleição atrapalhou a democracia e voltou a criticar a política econômica. (...) (pág. 17)

- (São Paulo) - A governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), deverá ser uma das campeãs de votos entre os candidatos a governador. Segundo pesquisa de boca- de-urna O Globo/Ibope/TV Globo, ela deve se reeleger no primeiro turno com 66% dos votos, contra os 29% do senador Epitácio Cafeteira (PPB) e os 4% do vice- prefeito de São Luís, Domingos Dutra (PT). Os outros candidatos somados aparecem com apenas 1%, enquanto os votos em branco e nulos chegam a 15%. (...) (pág. 18)

EDITORIAL

"Antidemocrático" - Segundo o representante no Brasil da Unesco, Jorge Werthein, está sendo discutida na Argentina e em outros países a proposta do fim da universidade gratuita para todos. Favorável à cobrança de mensalidades de quem as pode pagar, ele sugeriu que o Brasil adote o mesmo princípio em suas universidades. (...)

De acordo com o ministro da Educação, não é hora de debater o assunto, sendo mais importante lutar para que seja aprovada no Congresso a emenda constitucional da autonomia universitária. Por certo que a questão da autonomia é da maior importância; mas o problema da gratuidade precisará ser abordado, mais cedo ou mais tarde. O injusto e mesmo antidemocrático sistema atual não pode permanecer indefinidamente sem qualquer modificação. (pág. 6)

COLUNAS

(Panorama Política - Tereza Cruvinel) - A confirmarem-se as pesquisas de boca- de-urna, o presidente Fernando Henrique terá ampliado consideravelmente sua votação em relação à de 1994, quando teve 44,09%. Agora vai passar dos 50%. A causa, certamente, é a insegurança diante da crise. O resultado, o fortalecimento imediato do Presidente para, num primeiro momento, arrancar do Congresso as medidas do ajuste fiscal. Lembremos que Collor aprovou até o confisco.

Se Collor, que nada tinha feito antes, exceto embriagar os descamisados, conseguiu isso, que dirá o homem do Real. Tratará pois o Presidente de transformar este imenso capital eleitoral em capital político, explorando também consciência crescente de que é preciso enfrentar a onça logo. (...) (pág. 2)

(Ricardo Boechat) - Nada menos que 78% dos brasileiros que foram às urnas ontem votaram sem levar em conta o partido dos candidatos. A constatação está na pesquisa do Vox Populi, feita para a Confederação Nacional dos Transportes. Na mesma sondagem, 88% dos entrevistados disseram crer que a corrupção no País continua igual ou maior do que em governos anteriores. (pág. 24)

CORREIO BRAZILIENSE

- Pacote sai em 20 dias

- Os brasileiros confirmaram o que indicavam as pesquisas eleitorais e reelegeram ontem Fernando Henrique Cardoso para presidente da República. De acordo com pesquisa boca-de-urna do instituto Vox Populi, ele terá 57% dos votos válidos. Pesquisa do Ibope dá 56% dos votos válidos para o Presidente. A reeleição confirma a tendência que o "Correio" adiantou nas edições de 22 e 24 de setembro. Os primeiros a saberem da vitória de Fernando Henrique foram os investidores estrangeiros que ouviam o ministro Pedro Malan, em seminário promovido pelo Banco Mundial nos Estados Unidos.

O resultado das urnas deixa o Presidente à vontade para enviar ao Congresso, antes do final do mês, o aguardado pacote de ajuste fiscal. O objetivo é garantir uma receita adicional em 1999 de até R$ 25 bilhões, aumentando impostos e cortando despesas. Entre as medidas mais prováveis está o aumento na alíquota da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), de 0,2% para até 0,5%. (pag. 1, 2 e 5)

- O desafio de FHC

- Nunca na jovem história da redemocratização brasileira um político teve tantos votos, mandato tão longo, enfim um aval tão forte do povo para resolver um problema econômico.

Tendo ele acabado com a inflação, não há dúvida sobre sua capacidade para enfrentar tal desafio. O problema é como atacar o crônico déficit público de maneira tão criativa quanto fez para derrubar os preços.

Quem ameaça o real são os agiotas estrangeiros, personagens sem rosto, nome ou endereço conhecido, que desembarcaram no País com a única finalidade de buscar lucros. Vão embora ao menor sinal de desarranjo nas contas nacionais. (...)

Brasileiros, com nome e endereço conhecido correm risco de tomar o remédio amargo da recessão a ser imposta para reparar o estrago deixado pela fuga dos investidores. (...) (pág. 1)

- Contrariando as previsões das pesquisas, Cristovam Buarque (PT) teve mais votos do que Joaquim Roriz (PMDB) no primeiro turno da disputa pelo governo do Distrito Federal. Até as 23h de ontem, com 94,25% das urnas apuradas, Cristovam estava na frente com 43,22% dos votos, contra 38,55% de Roriz. José Roberto Arruda (PSDB) tinha 17,96%. Os dois candidatos mais votados já começaram a tentar ganhar a preferência dos eleitores de Arruda. Cristovam ligou para o tucano na noite de sábado, a pretexto de lhe desejar boa sorte. E Roriz convidou "todas as forças que não concordam com o governo nas mãos do PT" a apoiar sua candidatura. (pág. 1, 10, 11 e 14)

- Deputado distrital pelo PMDB e senador eleito, Luiz Estevão já sabia que teria um dia cheio ontem. Só não imaginava que seria tanto. Durante as nove horas destinadas à votação, Estevão socorreu uma moça que foi atropelada em Ceilândia, discutiu com policiais em Sobradinho e em Taguatinga e bateu boca com uma juíza eleitoral na Asa Sul, em frente ao colégio Cesas, onde votou às 16h. (...) (cad. Eleições, pág. 15)

- (Rio) - Eleições encerradas, os candidatos ao governo do Rio de Janeiro começam a pensar em possíveis alianças para o segundo turno - mesmo que ainda não se tenha certeza de que haverá um. O primeiro resultado parcial da apuração no Rio, às 19h47 de ontem, dava 44,7% dos votos para o candidato Anthony Garotinho (PDT), Cesar Maia (PFL) estaria com 39%, e Luiz Paulo Correa da Rocha (PSDB), com 12,79%. Os demais candidatos somavam pouco mais de 3%. Com este resultado, Garotinho e Maia disputariam o segundo turno. (...) (cad. Eleições, pág. 26) 9

ZERO HORA

- Os fantasmas pós-eleitorais de um duro pacote fiscal ou de uma maxidesvalorização do real parecem afastados. Pelo menos por enquanto. Falando em Washington, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, procurou ontem acalmar os mercados e reeduzir expectativas sobre mudanças no rumo da política econômica em três discursos para autoridades e investidores.

O ministro negou que vá alterar a política cambial ou promover a taxação de saída do capital externo. Em Brasília, o ministro interino da Fazenda, Pedro Parente, afirmou que as medidas de ajustes não estão prontas e que o Governo ainda não tem os números do esforço fiscal que precisa ser feito. Qualquer mudança na política econômica não será tomada sem discussão prévia com as lideranças do Governo no Congresso, garantiu. (...) (pág. 14)

- As pesquisas de boca-de-urna indicam que a disputa pelo governo do estado será decidida no segundo turno. Apurados 57,6% dos votos, Olívio Dutra (PT) somava 51,4% dos votos válidos, contra 41,3% de Antônio Britto (PMDB). Com esse resultado, Olívio venceria no primeiro turno, mas como as cidades menores só serão apuradas hoje a expectativa da coligação Rio Grande Vencedor é de que Britto passe à frente e a eleição seja decidida em segundo turno. (...)

Ao todo, o candidato do PT vence em 19 das 30 cidades onde a apuração já foi encerrada, e Britto, em 11. O melhor resultado de Olívio, surpreendentemente, não foi obtido na capital, mas em São Borja, onde soma 60,6% dos votos válidos. (...) (cad. Eleições, pág. 2)

MANCHETES

ESTADO DE MINAS

- Brasil se define e minas fica para segundo turno

HOJE EM DIA (MG)

- FH é reeleito e minas já abre guerra do 2º turno

JORNAL DO COMMERCIO (PE)

- Boca-de-urna dá vitória de Jarbas no primeiro turno

O DIA (RJ)

- Um voto de confiança

ZERO HORA (RS)

- FH reeleito

ATENÇÃO

O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br, na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas, inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.

Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

O endereço na Internet é www.brasil.gov.br

O telefone para solicitação de publicações é:061-411.4892.

O email da Secretaria de Comunicação Social é: secom@planalto.gov.br